Baile ao vento


De longe, sentado,
envolto em pensamentos
vivos e com olhar fúnebre,
a vejo
em seu baile de curvas,
em sua apresentação sem pudor,
que aos poucos vai sumindo
quase que em uma dança suicida
e hipnotizante.


Em poucos instantes
já não há mais fogo,
já não há mais fumaça,
já não vejo mais o vento.

Meu olhar volta a viver,
minha mente, falece.

Feliz



Feliz do dia
em que desci
daquele ônibus,
ou sonho.
Não buscava nada,
é certo,
no entanto,
a encontrei.


Ela, apesar de não saber,
esperava um ônibus,
ou um sonho,
que nunca havia
passado por ali.



Dissimulados



São joguetes
as chamas que de veras me estraçalha.

Cortam-me as entranhas
 a navalha opaca
 que reluz com febre
diante dos meus.

Não são oblíquos,
no entanto
completamente
dissimulados.

É letal vê-los,
contudo
é  prazeroso
todos os dias
morrer
dessa
forma.

A voz que calou o vento





Antes de tudo veio o silêncio.
Depois, a solidão.

Foi um tsunami de paz
e de guerra
que varreu
sem piedade
os meus últimos sentimentos
guardados,
roubados,
perdidos.

Um arrepio se abateu sobre meu corpo.
Minhas pernas foram arrancadas,
meus braços multilados
e pouco a pouco todos os meus sentidos
foram sendo destruídos.

Fiquei nu,
cego,
mudo.
A voz que calou o vento,
porém,
deu-me o dom da audição.


Encarnada





Não sinto dor por tua ausência,
tampouco rancor
por tua partida.
Não sinto saudade
ou sentimento que o valha.
Não sinto receio
do espelho
que dia me refletiu
se estraçalhe
e me corte
por inteiro.


Apenas escrevo
e peço-te desculpas
se minhas palavras
não estão
como imaginavas.
Algumas se afogaram
em sangue
enquanto escrevia.

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A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.
Leonardo da Vinci