Correnteza



Uma pedra foi jogada ao rio...
Caudaloso, feroz, mortal.
Uma grande pedra...
Maior que o pensamento momentâneo.
Não sei se por causa da chuva
Ou da noite mal iluminada
Não sei se por causa dos olhos
Inundados, afogados...
Ou da imaginação rasa e ébria (de algo não identificado)
Mas me senti encharcado,
Sendo levado, ferozmente,
Pela correnteza.


Alguma coisa chamada ausência


Sua voz, soa...
Sussurra.
Sua lembrança
como um rio intermitente,
invade-me e me esvazia
num piscar de olhos.
Seu amor...
Um dilúvio no verão.
Ausência bondosa,
que de tão presente
chega a ser cruel,
real.

Pétala

Feliz daquele (poeta)

Que teve o prazer

De entrar no bosque ou mar, como queiram,

Das desilusões.

O verdadeiro poeta não

Escreve sobre o amor delirante que o norteia

Mas sobre a desilusão devastadora

Do que um dia foi um amor delirante.

O verdadeiro poeta não fala das rosas

Perfumadas do campo

Mas de suas pétalas caídas, levadas ao vento.

O verdadeiro poeta... bom

Deve está atrás de alguma pétala

Perdido,

Desfalecendo...

De fome...

Ou afogado,

Como queiram.

Trem da vida



O trem da vida passou
Eu
Não
Vi.

O trem da vida passou
Eu
Não
Ouvi.

O trem da vida passou
Por cima
De mim.

Abismo de um amor




O abismo
De um amor
(Alguns chamam dor)
Maltratado
Atado
Desatado
Alado
Ao lado
Ou
Ao longe...
Não é tão fundo
Assim
sim...
im...
m...
.

Apenas uma palavra


Distante
E ao mesmo tempo
Perto.

Perto...
Talvez não ao mesmo tempo.
Talvez...
Talvez sim
Talvez não
Apenas
Talvez.

Apenas...
Apenas uma palavra
Uma pequena palavra.

Uma imensurável beleza
Cerca-me
Norteia-me
Confundi-me
Apaixona-me...
Perto...
E ao mesmo tempo
Distante.

À deriva



Estou perdido em um mar sem fim
Finalmente
Perdido.

Ao longe alguém chama
Chama que arde
Que incendeia.

De perto eu contesto
Com eco
Com sangue.

E continuo sem rumo
Sem prumo
Sem remo.

Eu sinto muito


Eu sinto
Muito,
Amor.
Em meio (ou inteiro)
à dor.
Dor
de amar (ou tentar),
sentir
alguma coisa,
qualquer coisa.
Mas às vezes (ou quase sempre),
eu tenho a impressão (ou certeza)
de que
o que sinto,
na verdade,
não tem
nome.

Invisível insignificância



Na minha invisível insignificância,
Espero-te.

Com minhas palavras mudas,
Falo-te.

Com meu distante olhar,
Observo-te.

Com meus silenciosos passos,
Paro.

No meu sorriso sem graça,
Perco-te
Entre meu choro sem lágrimas.

Sua distância




Sua distância me causa a falta.
A falta de algum pensamento que seja.
 falta algo,
alguém.

Sua distância me causa medo.
Medo de esquecer o que não vejo,
medo de não saber o tamanho da distância,
medo de me perder na busca,
na tentativa de suprir
essa falta.

Sua distância me causa algo que não sei explicar.
Algo misterioso,
que corrói por dentro,
algo invisível,
sem cheiro,
sem peso,
sem tamanho.
Talvez seja saudade.

Saudade do que nunca vi.

Luz desconhecida



Embriagado numa luz desconhecida
Perdi-me sem rumo e sem alento
Pensei ser a lua perdida
No meio da rua com o vento,
Mas essa luz tinha mais vida
Mais do que a minha, naquele momento.

Sem saber onde estava
Tomei essa luz como guia
Por trilhas e estradas
Por noites e dias
Caminhava, caminhava...
E o vento se tornava ventania.

Logo fui caindo,
Meus olhos se fechando,
O meu ânimo sumindo,
A luz se apagando
E meu coração,

ainda valente,
aos poucos foi parando.


Olhar




A janela da alma
nunca foi tão bela
alguns olham
da janela
outros
para ela
admirando
e pensando
e passando
e voltando
a admirar
e a falar
Nossa!
Que janela mais bela
é esse seu olhar.

O que esperas?



O que esperas?
Um príncipe num cavalo branco?
Uma chuva de perfeição?
Uma Lua particular?
A beleza efêmera de todas as rosas?

O que esperas?
Um olhar arrebatador?
Uma palavra delirante?
Um abraço em segredo?
Um beijo embriagante?

O que esperas?
Debruçada na janela
Nesse sonho
Acordada?

Sono fatal



Um sono fatal
invade-me.
Meus olhos já não me obedecem.
um peso descomunal,
acumula-se sobre minhas pálpebras.
O que era claro,
límpido, desnublado
já se torna turvo.
Numa penumbra assustadora.
Tão assustadora que...
Que talvez deixar
os olhos se cerrarem
seja a melhor opção.
Opção... Talvez nem isso
Eu tenha.

Poeta





Com o coração sangrando
o poeta consegue escrever
Sobre o mistério de uma vida
ou sobre a subjetividade
de uma linha
sem transparecer uma gota sequer
de sangue.

Brisa!?



A brisa de um sonho
Passou varrendo as folhas
Caídas do outono,
Levando-as ao alto
Num balé ritmado,
Contínuo e sem pressa.
De poucas cores, porém
De cores.

A brisa de um sonho
Tornou-se mais forte,
E, além de levar
As folhas,
Levou as estações,
A dança,
A calmaria,
As poucas cores.
A brisa...
Levou meu sonho.

Apenas uma carta



O amor é de tal forma
tão misterioso,
tão rápido e inesperado,
ou tão lento e previsível,
contraditório em sua totalidade,
que merece uma carta.

Não sabemos quando ele chega,
muito menos quando vai.
Quando chega
não queremos que parta,
E quando parte...


Comecemos a carta.

Não sei de onde vem
esse ser de nome pequeno,
tampouco como ele se vai.
Não sei como ele se manifesta,

sei que acontece.

Algum lugar, algum dia de algum mês, de algum ano.
O amor por ser tão misterioso,
dar-nos a entender
que tem várias faces,
várias fases.

Iníquo e belo amor,
venho por meio desta
ou daquela, não sei.
Talvez já te tenha escrito,
em pensamentos, é verdade.
Somente sei, porém, o nome do destinatário.
Para onde envio esses
pensamentos?
Talvez a pergunta certa
seja aquela sem resposta,
seja aquela respondida
pelo próprio eco.
O silêncio pode ser moldado,
mas é constrangedor, admito.
Por isso me calo.

Silenciosamente,

Alguém.

Um livro



O livro era feio,
ficava meio escondido,
no canto da prateleira.
Ninguém o pegava para ler.
Talvez por seu aspecto,
pelo pouco de pó que se acumulava
sobre a capa,
ou o que restava de uma capa.

Um dia sem querer,
ao tentar pegar outro livro,

mais belo,
o homem derruba os dois
e eles se abrem.
O que era feio
torna-se majestoso de repente
depois que os olhos
caíram junto com suas linhas
em um chão com mais pó ainda.

Sopro




A palavra certa foi lançada no vazio
Vazio?
Ainda escuto o eco ao longe
Certa?
Talvez fosse naquele momento
Talvez?
É, a dúvida me persegue
Dúvida?
Não tenho certeza ainda
Ainda?
Quem sabe o mesmo vento
Não te afaga por duas vezes
Será?

Uma palavra



Busco nas entrelinhas
de suas verdades,
de suas mentiras,
de seus olhares enigmáticos,
a interpretação exata
da suposição não revelada.
Do meio sorriso oferecido,
da voz dada sem afago nem afogo.
Busco o invisível,
o imperceptível,
uma única palavra,
dentro ou fora
do contexto.

Suas palavras


Suas palavras repousam
Em um doce silencio
Em um doce deleite
Em amargas distancias.

Suas palavras denunciam
A singeleza velada em voz
A ternura de um sopro
A maldade de não ouvi-las.

Suas palavras...
Ou a falta das mesmas
Jogam-me na realidade
Na contradição
Em uma saudade sem fim
Talvez sem começo nem meio.

Pequeno sonho de uma realidade


Em um voo sem asas
um pensamento caiu sobre o nada
e tudo se fez claro.


A luz de uma voz soou
na escuridão do silêncio
e os anjos por um momento
pararam pra escutar
o feixe que irradiava ao longe...

Só voltaram a cantar
quando a escuridão retornou.

Paradoxo



Que paradoxo é essa vida
Vida simples e complicada
Vida fácil e complexa
Em um minuto sabemos tudo
E em um segundo sabemos nada.

Que paradoxo é essa vida
Cinza e multicolor
Vida quente, vida fria
Perto, longe
Alivio e dor.

Nascemos, morremos
Lutamos, ganhamos...
Perdemos.
Amamos
E a morrer...
Voltamos.

No silêncio da noite



No silêncio da noite
o vento passa devagar
para não romper a calmaria,
e na sua passagem poder escutar
as palavras ditas com a alma,
sem ser pronunciadas,
faladas baixinhas
com um singelo olhar,
escritas pequenas
com letras invisíveis.

No silêncio da noite
o vento passa devagar
e testemunha o que ninguém viu.
O riso sem motivo,
o choro sem tristeza,
a distância sem medidas,
o segredo revelado
para a luz da lua
e a penumbra da noite.

Singular



Perdido
Vencido
Ao tempo
Ao vento
Ao lento
Sem meia
Nem grandes
Palavras.
Apenas
Alguns
Pensamentos
Que correm
Que morrem
Mas não
Me dizem
Mais nada.

Distância



Sua distância
Deixa-me perto do vazio
Cheio de angústias e sonhos,
Sonhos de uma realidade utópica
De enchentes de contradições,
De estiagens de amor.
Uma distância
Sem medidas
E medida todos os dias
Uma distância
Sem tamanho
E maior do que o próprio pensamento
Uma distância
Invisível, indescritível e indolor
Que de ver pude escrever
E de ler pude sentir.

O dia que não passava



Em um distante lugar
Vivia um homem normal
Que se contentava em observar
A repetição natural
Do tempo passar
Sempre todo igual.

Observava pela janela
A vida se repetir
Aquela coisa bela
Que muitos diziam ali
Mal sabia a cidadela
Que ele não conseguia dormir.

Não era uma doença
Ou um medo exagerado
Não era uma crença
Ou algo relacionado
Era apenas a presença
Do tempo parado.

E lá ele ficou
Até não poder mais
E num colapso observou
O que ficou pra trás
Que o tempo não parou
Ele que observou demais.

Espero-te



Espero-te,
Na minha acompanhada ausência,
No meu tumultuado silêncio,
Com minha música sem som.


Espero-te,
Na solidão de pensamentos,
Na escuridão do amanhecer,
Nas palavras que o vento não canta.


Espero-te,
Com um sonho singular,
Com versos sem sentido,
Com a contradição de algo desconhecido.

Mais...



Mais um dia esperando
O que sempre esperei
Mais um dia olhando
Para onde sempre olhei
Mais um dia passando
Como sempre passei
Mais um dia, mais dia
Ou uma a menos, não sei.

Mais um dia escrevendo
O que sempre escrevi
Mais um dia querendo
O que dantes vivi
Memória morrendo
De algo esqueci
Mais um dia, mais um dia
E ainda não aprendi.

Pensamientos



Dónde están mis pensamientos
Que un día llegaran sin aviso
Y hicieron de una simple reflexión
Un complejo sueño.
Dónde están estos pensamientos
Que dejaron mi confusa mente
En perfecta armonía
Y aclararon la oscuridad
Que un día reinó.
Dónde están estos pensamientos
Qué me dejaron así como llegaron,
Sin aviso.

Venha



Venha,
Como não se houvesse outro caminho
Como se sua caminhada ditasse sua vida
Como se o inatingível estivesse ao seu alcance
Como se o indelével tempo escapasse de suas mãos
Sem deixar rastros, marcas ou memórias.

Venha,
Não tema entrar no vale desconhecido
Este o deixará de ser.
Mesmo a passos curtos
O medo é essencial à vida
E principalmente á morte.

Venha,
Não perca tempo olhando as folhas no chão
Ou seguindo seu rumo junto ao vento
Faça sua própria brisa
Ao passar pelo caminho
E deixe as folhas te seguirem.

Minha tristeza



Perdido no ermo recinto dos meus olhos
está um pequeno grão de alegria.
Pequeno esse que um dia,
por azar ou ironia,
chegou a ser euforia,
mas agora, nostalgia.

A cada momento
uma lágrima corria
e com ela, o grão como seu guia.
Passeavam lentamente nessa agonia.
Eu e a solidão de companhia
conversávamos do que não sabia,
matando o tempo, eu morria.

Jardim do esquecimento



No jardim do esquecimento
Onde a luz contrasta com a sombra
O vento canta sem lamento,
Sem tormento,
Por um momento,
Voltou a ser vento
Levando a poeira que restava na alfombra.
No jardim do esquecimento
Não existe noite ou dia
O tempo não é sinônimo de lamento,
Nem de sofrimento,
Lá se vive o momento,
De um grande pensamento
Ou de uma grande utopia.

Sombra perdida



A paixão é algo que não me pertence
sua sombra nunca foi a minha. . .
Minha sombra, tampouco.
No vale da luz não a via,
no vale das sombras
eu me perdia,
em busca da minha,
que talvez um dia,
andava comigo,
mas não percebia.

A vida é uma estrada...



A vida é uma estrada
Onde não vemos um passo à frente
Onde ficamos olhando os rastros que ficam
Onde caminhamos mesmo sem ver esse caminho.

A vida é uma estrada
Curta, efêmera.
Algumas vezes bela
Outras nem tanto.


Passamos por cachoeiras de lágrimas
Por bosques de alegrias
Por curvas perigosas
Por vales tranquilos.


A vida é uma estrada
Onde às vezes caminhamos sozinhos
Outras compartilhando as belezas da caminhada.


A vida é uma estrada,
Caminhe.

Por quê?



Por que me olhas assim?
Com esse olhar que me devasta
Me tortura, me embriaga, me afoga
Faz-me perder os sentidos
E ao mesmo tempo sentir tudo
O que não se pode explicar
Em uma vertigem inefável.
Por que me olhas assim?
Como quem me devora
Me consome, limita minhas forças
E leva-me ao chão.
Por que me olhas assim?
Não sei, não sei...
Mas por favor, nunca feche os olhos.

A poesia



A poesia é muito mais do que palavras
É a ausência do nada e do tudo
É a presença do que foi, do que é
E principalmente do que será.
É aquilo que não se tem explicação
Mas que pode ser explicada por quem lê.
São palavras mudas
Que falam ao coração através da alma.
A poesia é uma mão
Para quem se afoga.

O amor



O amor é como as nuvens
levadas pelo vento.

Observamos e, 
não são raras as vezes que,
imaginamos formas,
desenhos... que sonhamos.


Simples e ao mesmo tempo

primoroso.

E assim é;
Mas, às vezes, nos esquecemos
que mesmo nas lindas nuvens
formam-se tempestades.
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